Fora Maduro! Abaixo a ditadura na Venezuela! Um país destroçado pelo governo capitalista

A Venezuela, hoje, é um país arrasado por desemprego, inflação, miséria, fome e falta de direitos democráticos. Os trabalhadores são assassinados por um governo que se converteu em uma ditadura que, sob o pretexto de se enfrentar com o imperialismo, na verdade massacra os mais pobres, assalta os cofres públicos e governa para os patrões.

Mundo - 18 de fevereiro de 2019

                A Venezuela, hoje, é um país arrasado por desemprego, inflação, miséria, fome e falta de direitos democráticos. Os trabalhadores são assassinados por um governo que se converteu em uma ditadura que, sob o pretexto de se enfrentar com o imperialismo, na verdade massacra os mais pobres, assalta os cofres públicos e governa para os patrões.

                Desde 2016 que a hiperinflação tornou impossível a uma família venezuelana se alimentar adequadamente, e muito menos se vestir, pagar suas contas ou ter qualquer outro gasto com saúde, moradia, lazer, etc. Em média, a inflação passa dos 1000% anuais em todo este período, e o PIB do país despenca sem parar. A inflação projetada para até o final de 2018 é de um milhão por cento ao ano! Sem condições de modificar esta realidade com medidas concretas de controle da economia, o governo arrocha os trabalhadores e adota medidas inócuas, como retirar cinco zeros da moeda, que passou a se chamar Bolívar Soberano em agosto de 2018.

                A Venezuela sofre o maior desemprego de sua história, com mais de 20% de trabalhadores sem salário e outros tantos com salários incapazes de manter sua sobrevivência. A fome voltou intensamente ao país, assim como se multiplicaram os miseráveis. Cerca de 75% da população perdeu, em média, 8,7 kg devido à falta de alimentação, a taxa de homicídios disparou e os que têm algum recurso gastam tudo que possuem para fugir do país. Dos que ficaram, quase 90% agora vivem na pobreza.

                Milhões de venezuelanos tiveram que emigrar durante os mandatos de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro, em razão da recessão recorde e da ditadura que a seguiu. Foram mais de 1,5 milhão de pessoas de 1999 a 2014. Mas este número explodiu em 2015, quando, em apenas um ano, mais 1,8 milhões de Venezuelanos tiveram que sair do pais, num ritmo que permanece muito alto até hoje. Somente no Brasil, o número de venezuelanos que pediram refúgio aumentou 1.036% entre 2013 e 2015, e não param de chegar.

                Na saúde, a crise hospitalar veio com força no início de 2013, com a escassez de medicamentos. A expectativa de vida diminuiu no país e remédios contra câncer, asma, epilepsia, diabetes, doença de Parkinson, mal de Alzheimer, entre outros, praticamente desapareceram. Faltam gazes, remédios de todo tipo, seringas, agulhas, material de limpeza, instrumentos cirúrgicos, e a Venezuela sofre com uma crise humanitária terrível, típica de países em guerra.

                A escassez de produtos básicos é outro problema básico na Venezuela. Leite, vários tipos de carne, frango, café, arroz, óleo, farinha, manteiga e produtos de higiene, como papel higiênico, sabão e pasta de dente sumiram dos mercados. A carestia de vida levou muita gente à desnutrição, aos saques e a comer diretamente do lixo. A vida da maioria da população está em frangalhos no país, e esta realidade é o que levou à insurreição popular que estamos assistindo.

O capitalismo de Chávez, com a recessão econômica, se converteu em ditadura de Maduro.

                A Venezuela desfrutou de um período de “vacas gordas” quando o preço do petróleo, produto responsável por mais de 90% do dinheiro do país, chegou a bater em mais de 150 dólares o barril. Mesmo quando os preços baixaram, permaneceram acima de US$ 100 por muito tempo, fazendo jorrar dinheiro nos cofres do governo, vindos, na maior parte, dos próprios Estados Unidos, principal parceiro comercial de Chávez e de Maduro, até hoje, apesar dos falsos discursos de antagonismo entre ambos. Esta fortuna vinda do petróleo por cerca de uma década serviu, além de alimentar os compradores imperialistas e de saquear os recursos naturais do país, principalmente para enriquecer uma parte considerável da burguesia venezuelana, chamada de “boliburguesia”, por virar bilionárias falando em “revolução bolivariana”.      Chávez e Maduro também criaram um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, em que até a brasileira Odebrecht, presentes em falcatruas no mundo todo, fez parte ativa.

                Neste meio tempo, uma pequena parte desta riqueza toda foi convertida em concessões sociais. Hugo Chávez criou as Missões bolivarianas, com a construção de milhares de clínicas médicas, programa de renda mínima, distribuição de alimentos e subsídios de habitação. O banquete da burguesia era farto e permitia que uma parte minoritária da riqueza bancasse concessões sociais, que resultaram, efetivamente, em quedo do analfabetismo, melhorias na saúde, redução da pobreza e avanço econômico e social. Mas, sem o fim do capitalismo, sem o controle da economia pelos trabalhadores e sem sequer medidas estruturais capitalistas, como acelerar a industrialização e tornar a Venezuela mais independente do imperialismo, os bons tempos chegaram ao fim. A recessão mundial do capitalismo levou à diminuição da compra do petróleo, e os preços deste produto caíram ao patamar de 50 dólares. Aí, tudo mudou.

                As torneiras foram secando, mas a corrupção instalada em larga escala e os lucros da burguesia permaneciam. Os custos da crise, como em qualquer país capitalista, foram jogados sobre as costas dos trabalhadores. As Missões foram praticamente todas encerradas, os subsídios retirados, os produtos importados com o dinheiro do petróleo não podiam mais ser comprados, e a escassez e hiperinflação vieram com tudo. Resultado: fome, desemprego, miséria, dívidas e revolta popular! Chávez perdeu o apoio da maioria da população, reprimiu as manifestações populares que já se multiplicavam, retirou direitos sociais e democráticos dos trabalhadores e foi responsável pelo assassinato de vários líderes sindicais. Mas a crise econômica ainda iria piorar muito, e, junto dela, a crise social e política. Foi quando Chávez morreu.

                No início de 2013, então, foi eleito Nicolás Maduro, continuador de um governo pró imperialista, corrupto e capitalista, mas, agora, sem o enorme carisma de Chávez e com os cofres vazios. Em 2014, a Venezuela entrou em recessão econômica e, em 2015, a hiperinflação e o desespero já levavam milhões às ruas e outros milhões para fora do país. Sem apoio popular e ameaçado de ser derrubado por manifestações gigantescas com milhões de estudantes e trabalhadores, Maduro concentrou os poderes em si mesmo e nas Forças Armadas, fechou, de fato, o Ministério Público e o Congresso, cuja maioria de deputados eleitos pela população foi da oposição (que atua como um governo paralelo desde então) e promoveu um banho de sangue com mais de 300 manifestantes assassinados desde então. Além das centenas de feridos e presos políticos.

                Não há mais democracia burguesa na Venezuela. Nem direito de ir e vir, nem de livre manifestação, nem de ter um sindicato, nem de imprensa, nem funcionam as instituições que o próprio capitalismo – e a Constituição “bolivariana” de Chávez – criaram, como o Legislativo. Maduro governa com base na força do exército e de grupos paramilitares, prisões ilegais, destituições de autoridades e, principalmente, do terror contra os trabalhadores, que, no entanto, seguem lutando.

Uma revolução popular em andamento

                A avassaladora crise econômica somada à repressão sangrenta da ditadura de Maduro, que já assassinou cerca de 300 manifestantes, não consegue impedir a continuidade e crescimento de enormes protestos populares, e hoje há uma crise revolucionária na Venezuela. Os trabalhadores estão protagonizando lutas históricas, em que está em xeque o governo Maduro, todo o regime ditatorial implantado por ele, e a própria exploração capitalista, já que nenhum outro governo burguês que assuma o país, seja ele formado por Guaidó (deputado autointitulado “presidente” da Venezuela), Capriles (principal líder opositor nos últimos anos) ou novos personagens burgueses que surjam no processo. São milhões de trabalhadores que iniciaram e são os verdadeiros líderes das manifestações que colocam a possibilidade de derrubar a ditadura de Maduro.

                A crise revolucionária na Venezuela deriva da crise mundial do capitalismo e do esfarelamento das instituições do Estado burguês no país. Não nasceu de nenhuma conspiração da oposição burguesa ou manobra imperialista, como os aliados da ditadura de direita de Maduro alegam, na Venezuela, no Brasil e no mundo todo. Depois do golpe contra Chávez em 2002, derrotado pelos trabalhadores, os Estados Unidos conviveram lucrativamente com Chávez e Maduro, que sempre remeteram petróleo aos EUA e pagaram todas suas parcelas de dívida pública, bem como dividendos e lucros aos especuladores internacionais. A crise da Venezuela é real, profunda e resultado da política burguesa e corrupta de Chávez e Maduro. E são os trabalhadores quem estão sofrendo com ela e reagindo nas ruas.

                A “reeleição” de Maduro em maio de 2018 foi mais um golpe desta ditadura, em um processo eleitoral amplamente não foi reconhecido, tanto internacionalmente, como pela maioria da população. 54% dos eleitores venezuelanos não foram às urnas, tendo havido um boicote da maioria da oposição, após Maduro proibir a participação de seus principais concorrentes. Considerando esta maioria de abstenções, além dos votos na oposição que não aderiu ao boicote e se registrou para concorrer, e votos brancos e nulos, Maduro foi “reeleito” com apoio de cerca de 30% dos eleitores do país, mesmo sem levar em conta as fraudes e manipulações de voto. Por isso e pelo fato de ter suprimido os direitos democráticos da maioria da população, Maduro realmente não é um presidente legítimo, e deve ser derrubado.

                Por outro lado, Juan Guaidó, deputado e presidente da Assembleia Nacional, tampouco é presidente do país e não tem qualquer legitimidade para isso nem obteve votos da população para isso. Rechaçamos que a oposição burguesa, como ocorreu antes com Capriles e volta a ocorrer agora com Guaidó, se aproprie da revolução que ocorre nas ruas da Venezuela, e cujo conteúdo e composição é dos trabalhadores e explorados do país, contra a ditadura, mas também contra a direita tradicional, que sempre explorou os venezuelanos e empobreceu o país.

                Desta forma, combatemos qualquer saída burguesa e capitalista à crise da Venezuela e nos somamos aos manifestantes que enchem as ruas de Caracas e do interior do país, pelo Fora Maduro e Abaixo a ditadura! Somos parte desta luta e esta é nossa trincheira! E é das barricadas pela derrubada deste governo, que lutamos por um governo dos trabalhadores em luta, que finalmente expropriem os grupos capitalistas estrangeiros e nacionais da Venezuela, que acabem com os privilégios dos governantes e com a corrupção, e que assumam o poder rumo ao socialismo de verdade, e não este capitalismo de fome e exploração, que só se fantasia de esquerda.

                Não podemos ter dúvidas: a principal tarefa na Venezuela é derrubar a ditadura e colocar Maduro para fora, com a punição popular aos assassinos e criminosos do governo. A luta nas ruas é uma luta de classes contra todos os burgueses, mesmo aqueles que, de forma oportunista, também estão nas manifestações ou se apresentando como uma alternativa. Nós dizemos: são mais do mesmo! Precisamos derrubar a ditadura e, ao mesmo tempo, impedir a posse de Guaidó ou que qualquer opositor burguês confisque o poder para si ou seus partidos. São os trabalhadores que devem dirigir os protestos, a derrubada de Maduro e a construção de um novo governo, mas esta disputa só será possível por dentro e como linha de frente da luta de massas pela derrubada do regime.

Não à invasão imperialista na Venezuela!

                Maduro não foi reconhecido internacionalmente por dezenas de países (entre eles Estados Unidos, Brasil, Argentina e quase todos os europeus) e a maior parte destes mesmos governos reconheceram como presidente a Juan Guaidó, o que também não atende aos interesses dos trabalhadores. Este impasse diplomático e político colocou a possibilidade de que, diante de algum conflito maior entre os grupos burgueses ligados à ditadura de Maduro e à oposição que proclama Guaidó, os países que apoiam Guaidó venham a intervir militarmente na Venezuela. Nós somos totalmente contra esta possibilidade.

                A intervenção de países imperialistas só agravaria a crise na Venezuela, da mesma forma como ocorreu no Haiti, na Síria e em todas as outras ocupações provocadas, principalmente, pelos Estados Unidos. Diante de uma futura agressão imperialista, imediatamente todos os trabalhadores precisarão reagir e defender a Venezuela de qualquer ataque. Quem deve derrubar Maduro são os trabalhadores em luta e não potências agressoras. No entanto, a hipótese de uma agressão imperialista não pode levar à paralisia da luta pela derrubada de Maduro e de sua ditadura. Qualquer fato novo que leve a uma nova realidade, deve ser analisado e pode mudar a política e as bandeiras de luta, como é o critério dos revolucionários. Porém, diante da crise revolucionária existente hoje, não pode haver hesitação e defendemos todo o apoio à vitória dos trabalhadores da Venezuela na luta para a tomada do poder.

                É necessária uma grande campanha para enviar de fora e expropriar de dentro, das grandes empresas e das Forças policiais e armadas, todos os recursos à sobrevivência e à luta exigidos neste momento. Alimentos, remédios, dinheiro e armas são necessários para viver, se defender e resistir! Pelo triunfo da revolução venezuelana!