Congresso do Movimento Revolucionário Socialista reafirma luta pelo Fora Bolsonaro, Fora Todos; pela construção da revolução dos trabalhadores em todo o mundo.

Entre os dias 21 a 24 de abril ocorreu em São Paulo o congresso do MRS. Este foi nosso quarto congresso depois de nosso congresso fundacional, ocorrido em 2013, no Rio Grande do Sul. Ou seja, de nossa fundação até hoje, tivemos 5 congressos nacionais do partido, sempre primando pela discussão coletiva, intervenção nos movimentos sociais e de luta dos trabalhadores e dos setores oprimidos, atuando na ação direta e no fortalecimento de uma organização comunista e revolucionária, no Brasil e no mundo todo.

Política - 30 de abril de 2022

Entre os dias 21 a 24 de abril ocorreu em São Paulo o congresso do MRS. Este foi nosso quarto congresso depois de nosso congresso fundacional, ocorrido em 2013, no Rio Grande do Sul. Ou seja, de nossa fundação até hoje, tivemos 5 congressos nacionais do partido, sempre primando pela discussão coletiva, intervenção nos movimentos sociais e de luta dos trabalhadores e dos setores oprimidos, atuando na ação direta e no fortalecimento de uma organização comunista e revolucionária, no Brasil e no mundo todo.

Tivemos 13 pontos de discussão e votação em nosso congresso: 6 pontos de aperfeiçoamento do nosso programa (questão agrária; questão urbana; meio-ambiente; saúde; trabalho e salário; e segurança pública) e 7 pontos congressuais ordinários (documento internacional; documento nacional e tática eleitoral; balanço desde o último congresso; planos até o próximo congresso; construção, organização e finanças; luta contra as opressões; e direção). A participação dos delegados e convidados internacionais, dos Estados Unidos, México, Argentina e Panamá, foi intensa e a elaboração coletiva foi riquíssima.

Nossa militância sai ainda mais forte e entusiasmada do congresso, pois, apesar das dificuldades e de toda a confusão ideológica gerada pela traição do PT e do fortalecimento circunstancial do bolsonarismo, ainda vemos que existe um espaço à esquerda que deve ser ocupado. As lutas nunca deixaram de acontecer, nem as greves, ocupações de terra e pela moradia. Da mesma maneira. Os movimentos feminista, negro, indígena e LGBTQIA+ também nunca pararam de resistir nem de lutar. Ao mesmo tempo, o capitalismo não para de gerar famintos, pobres, superexplorados e oprimidos.

Por sua vez, os partidos da esquerda tradicional são diretamente burgueses ou estão a serviço dos nossos inimigos de classe: PT, PCdoB, PSB e Rede/PSOL. São organizações cujas contas são pagas por grandes bancos, empreiteiras e grandes empresas, incluindo a federação partidária Rede/PSOL, amplamente sustentada pelo maior banco privado do Brasil e da América Latina, o Itaú, além da Natura, da Gerdau e tantas outras empresas financiadoras. Nenhum destes partidos representa os trabalhadores e todos agem para manter o Estado burguês e a estrutura econômica capitalista intactos. Por sua vez, outros partidos operários, muito pequenos, diante da falsa polarização entre Bolsonaro e PT, acabaram atuando como auxiliares de esquerda do PT, do mandato de Dilma, da candidatura Haddad e, agora, de Lula, que deve ser apoiado em 2º turno por todos eles.

Enquanto a classe trabalhadora luta e enfrenta ataques, riscos e perdas de salário e direitos, os partidos e organizações sindicais que majoritariamente dizem lhe representar, na verdade, atacam os trabalhadores. Mesmo as correntes que se dizem revolucionárias abandonaram o programa de transição ao socialismo. Só lutam pela impossível humanização do capitalismo, e veem na disputa eleitoral como um fim em si mesmo.

O capitalismo vive em crise cíclicas, e desde 2008 vivemos uma das mais duradouras de todas elas. Agravada pela pandemia, que levou a morte de milhões de pessoas mundo a fora. E cada vez mais o capital se assenta no aumento da exploração da classe trabalhadora e dos povos oprimidos no mundo, cujo resultado é mais pobreza, mortes e fome.

Saímos de nosso congresso com mais certeza da necessidade da construção de um partido revolucionário no Brasil. Que seja formado e esteja ligado à classe trabalhadora, das suas camadas mais organizadas até os setores mais populares e oprimidos. O MRS se coloca como uma pequena parte da construção desta organização nacional e internacional, dotada de um programa de transição ao socialismo, para fazer frente ao oportunismo e ao eleitoralismo, que destroem a esquerda e as lutas dos trabalhadores a nível mundial.

Internacionalismo e necessidade de fortalecer a direção revolucionária

O MRS é fruto da fusão, ocorrida em 2013, entre diferentes organizações marxistas, destacando-se o Movimento Revolucionário, a Alternativa Revolucionária Socialista e a Práxis Revolucionária Socialista.  Com o processo de adaptação social e degeneração de organizações como o PT, PSOL e PSTU, vários dirigentes e militantes de base têm passado por processos de ruptura ou até mesmo de expulsão dessas organizações e o MRS surgiu como uma unificação de vários destes revolucionários.

Sabemos que somos apenas parte de um processo que ainda deverá avançar muito para conseguir disputar a consciência das massas e dirigir a classe trabalhadora rumo à revolução socialista. Mas temos certeza que cresceremos captando novos militantes a partir de nossas bases, formando novos dirigentes, e também no debate com revolucionários e revolucionárias que estão fazendo suas experiências com outras organizações. Seguimos o chamado a que todos os revolucionários do Brasil venham somar esforços na construção de uma direção revolucionária democrática, leninista e comprometida na teoria e na prática com a luta independente dos trabalhadores, e que seja parte da reconstrução da IV Internacional.

Tivemos a honra de em nosso congresso contar com a presença de camaradas da Argentina, México, Estados Unidos e Panamá, além de saudações vindas da República Dominicana e do Afeganistão. Sempre tivemos no internacionalismo a razão de nossa existência, e sabemos que depende disso a sobrevivência de qualquer organização nacional.

Acompanhamos pessoalmente os processos revolucionários no Egito, na Síria/Curdistão e na Tunísia. Participamos de diversos encontros internacionais. E, agora, saímos do nosso congresso nos somando à campanha de arrecadação de recursos e apoio militante à resistência da Ucrânia, contra a agressão e ocupação da Rússia.

Essa estratégia e política constante internacionalista, somadas a uma atuação coerente com as nossas condições, e por vezes até ultrapassando os limites de nossa organização, nos permitiu avançar e sermos integrantes do Comitê pelo Reagrupamento Internacional dos Revolucionários (CRIR). Nosso congresso reafirmou este compromisso e seguiremos dispondo de nossos recursos, quadros e campanhas para fortalecer cada vez mais a atuação internacional e lutar pelo socialismo no mundo todo.

A luta contra as opressões como um dos eixos de intervenções!

Não há luta contra o capitalismo sem luta contra as opressões. O machismo, o racismo, a LGBTQIfobia, a xenofobia, etc., são mais algumas formas da burguesia tentar manter a dominação capitalista sobre a classe trabalhadora, jogando estes setores da classe trabalhadora para a margem da sociedade, aumentar a exploração de todos estes trabalhadores. Não à toa são estes setores que possuem os empregos pior remunerados e sofrem mais com a violência, única e exclusivamente por ser quem são.

Importantes movimentos têm ocorrido em diversas partes do mundo, expressando uma maior disposição de luta em defesa destas pautas. O levante negro em repúdio à morte de George Floyd e contra a violência policial nos EUA é um exemplo. As mega-manifestações de mulheres mundo afora são outro. São muitos os sintomas de crescimento da resistência dos oprimidos, como parte do Ascenso mundial da classe trabalhadora, que é desigual no mundo inteiro, mas também é combinado.

Estas lutas são extraordinárias, mas reafirmamos que, sem um partido revolucionário que atue junto e como parte destas lutas, não é possível acabar nem com a opressão, nem com a exploração que gera a opressão. A luta negra, feminista, dos imigrantes e pela livre orientação sexual precisa ser parte da luta revolucionária, ou está condenada a derrotas históricas e limitada a uma batalha perdida de reformar o capitalismo.

Nosso congresso avançou ainda mais neste debate e na inserção nesta luta, através de iniciativas como a construção da Ação Feminista Benedita Farias, em conjunto com outras militantes e mulheres de luta. A legalização do aborto, por exemplo, e outras pautas esquecidas até mesmo pela maioria das organizações feministas, são parte deste perfil combativo e de ação direta que defendemos para a luta contra as opressões, como parte fundamental da luta pelo socialismo.

Unir a classe trabalhadora e o movimento popular!

A partir da discussão da nossa atuação nos diferentes locais de trabalho, moradia, sindicatos, associações e movimento em geral; deliberamos pela necessidade de cada vez mais nos ligarmos às lutas populares, como a dos povos originários, quilombolas e por questões como o direito à moradia, por transporte e demais reivindicações dentro dos bairros. Isso deve se combinar com o fortalecimento da nossa atuação nas categorias onde já atuamos: educação, metalúrgicos, educação, saúde, funcionalismo público, correios, bancários, etc.

Em todos estes setores há um grande vazio de direções. As velhas e tradicionais direções morreram politicamente junto com o projeto de conciliação de classes do PT, e hoje seguem existindo apenas como superestruturas financeiras e a serviço da contrarrevolução. A CUT no movimento sindical, o MST no campo, a UNE e a UBES no movimento estudantil; hoje não passam de organizações de gabinete. O exemplo disso é que hoje vivemos sob um dos piores governos da História, com uma postura criminosa diante da pandemia, e estas organizações não fizeram nenhuma luta contundente pelo Fora Bolsonaro. Não derrubaram Bolsonaro porque não quiseram, já que, para o projeto burguês de retorno de Lula à presidência, vale mais a pena sangrar o governo e preparar suas candidaturas na próxima eleição, do que apontarem um caminho de mudanças estruturais no país a partir da mobilização popular.

Venha fazer parte dessa construção.

Fazemos um chamado a todas e todos para se somarem na construção do MRS. Toda nossa atuação e crescimento dependem da contribuição e colaboração única e exclusivamente de nossos militantes, simpatizantes e amigos do partido. Para podermos seguir tendo uma atuação nacional e internacional precisamos da sua ajuda. Chamamos os ativistas honestos e lutadores a vir conhecer o MRS, por uma mudança radical na sociedade. Ou lutamos imediatamente pela revolução e o socialismo ou seguiremos caminhando para a barbárie.

A classe trabalhadora e seu poder de organização são poderosos. Acreditamos na luta de todos os explorados e oprimidos e na inevitabilidade de um confronto cada vez mais aberto entre as classes sociais. Temos que nos preparar e lutar desde já!